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Eu nunca persisti

Persistir não é apenas continuar, mas sim permanecer preso a lugares de medo, angústia e repetição. Uma mensagem potente para quem sente que não se encaixa no padrão e busca viver além da permanência

Enquanto a maioria insiste em se manter no mesmo lugar, muitas vezes por sobrevivência, o autor se reconhece como alguém diferente — que não persiste, que desiste para não se aprisionar na mesmice, questionando a dor, o sofrimento e a falsa resistência que muitos abraçam como normal. Uma mensagem potente para quem sente que não se encaixa no padrão e busca viver além da permanência vazia.

"Eu nunca persisti. O mundo é comandado pelas pessoas que persistem, pelas pessoas que permanecem. Eles chamam isso de nunca desistir, mas não é, é permanência, é ficar onde está.

Fazendo de tudo para tudo continuar igual para a pessoa poder continuar ficando onde está. E isso é uma questão de sobrevivência daquele tipo de gente e esse tipo de gente. É a maioria nesse planeta.

As pessoas não desistem. As pessoas ficam, se elas puderem. Elas ficam.

A maldita vida toda delas onde estão. Esse locus individual. Esse lugar onde a gente se entranha, onde a gente se agarra.

E faz todo sentido biológico, deveria ser um lugar de... De aceitação. De aceitação, de cuidado. De zelo.

Pelos que vêm, pelo próximo, assim como a gente foi zelado. O óbvio, o óbvio. Mas não é. Esse lugar onde as pessoas se encarceram é um lugar de angústia, é um lugar de tristeza, é um lugar de solidão, é um lugar de medo.

É um lugar de ódio, é um lugar de luta. E as pessoas permanecem nesses lugares. Eu não consegui permanecer em um monte de lugar.

Eu não persisto. E eu sempre pensei, tem alguma coisa errada em mim porque eu não persisto? O que será? Eu vejo todo mundo persistindo. Olhava, olhava, olhava.

Do mesmo jeito que... Um cavalo no meio de uma manada de cavalo. Olha e fala, todo mundo é cavalo. Por que que eu não sou cavalo? Tem alguma coisa esquisita comigo.

Não tem espelho. Se ele se visse, ele ia ver que ele não é um cavalo. Ele é um camelo.

Ou um unicórnio. Eu não sou como as pessoas. Não sou.

Tem muita gente, muita gente. Que os iguais dizem, vocês são diferentes. Somos muitos os diferentes no planeta.

E os iguais riem da gente. Eu rio dos iguais. Vocês são ridículos, vocês são ridículos.

Vocês são monótonos. Não acontece nada. O que vocês acham que está acontecendo na vida de vocês é um mero padrãozinho de repetição e de reificação.

E é isso. Até que... “- Eu morri.”

Trabalhou muito, se dedicou.

Quarenta anos de dedicação como desembargador. No tribunal da Quarta Vara. Todo mundo com histórico lindo.

De dedicação. De permanência. De persistência.

De resiliência. Resiliência. Nada vem sem dor.

É isso que todo mundo fala. Os iguais falam muito isso. Nada vem com dor também.

O que está vindo? O que está chegando? Está sempre correndo atrás, se defendendo, não conseguindo ir. Mas virou assim. Tem que sofrer.

Então, mais uma coisa para quem quer ficar no lugar, fazer. Ficar sofrendo enquanto fica no lugar. Aguentando, suportando.

Resistindo a quê? Resistindo a quê? Ao sofrimento? Ao sofrimento você não resiste. Você sofre ele. Resistir ao sofrimento é sofrer.

Mas faz parte. Faz parte. Como que faz parte? E a gente está no ponto que está? Ah, faz parte.

Se estivesse tudo funcionando, tudo maravilhoso, tudo razoável, pelo menos, razoável. Se pelo menos todo mundo estivesse vacinado, já estava melhor. Nem isso.

Cada vez menos pessoas se vacinam no mundo. E se depender de alguns líderes mundiais, ninguém mais se vacina. Vamos vender tratamento.

Então, assim, não está funcionando. Não está. Eu vou dizer, vou fazer de conta que eu não sei por que não está funcionando, mas eu vou dizer uma coisa.

Quem está persistindo, quem está insistindo, quem está permanecendo, quem está conservando, tem sangue nas mãos. Mesmo parado quietinho no lugar que você está fazendo sua autopagem no mundo, permanecendo. Eu não persisto.

Eu insisto, mas eu desisto."

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